domingo, 10 de maio de 2009

Dos primórdios à Web 2.0

Lembro-me da primeira vez que acessei a internet, nos idos de 1996. Na época, já formado em jornalismo, o que me chamou a atenção foi a possibilidade de obter informações do mundo inteiro e de, por outro lado, publicar informações que pudessem ser lidas em todo o mundo. Em um segundo momento, encantei-me com o advento do e-mail e as trocas de mensagens em tempo real via chats e ICQ. A Web era vista como um novo e mágico universo.

Ainda em 1996, lembro-me de ter participado de uma série de seminários, promovidos por uma grande empresa de comunicação, em que a tônica era a seguinte: “ainda não sabemos exatamente por que, e nem de que maneira tiraremos proveito disso, mas estamos certos de que precisamos estar presentes na internet”. Naqueles primórdios da grande rede, a sede de descobrir, de se informar e de consumir o que era disponibilizado on line era o que ditava o comportamento dos internautas.

Acredito que a “passividade” inicial com que a grande massa de internautas se colocava diante da internet era, na verdade, fruto de um gradual e inevitável processo de descoberta. Um estágio em que todos procuravam entender aquele novo canal de comunicação. À medida que os usuários foram se familiarizando com os hiperlinks e trocas de e-mails, começou-se a se desenhar o novo padrão de comportamento que definiria o conceito de Web 2.0.

Aos poucos, a internet foi deixando de ser vista simplesmente como um canal de transmissão, para passar a ser tratada como uma plataforma aberta a diversas finalidades. Essa mudança é citada pelo presidente da Reille Media, Tim Reilly, como um dos principais alicerces da Web 2.0. Aliada ã chegada da banda larga, a participação do internauta na construção de seu conteúdo levou a internet a entrar em uma nova era.

O processo de transição da Web 1.0 para Web 2.0 deve ser entendido, portanto, como uma evolução da forma como a indústria e internautas se posicionavam em relação à grande rede. Impulsionada pelos avanços tecnológicos, mas principalmente pelo amadurecimento dos internautas, adotou-se um processo participativo de construção da informação. Uma vez familiarizados com o conceito de internet, os usuários tornaram-se mais exigentes. Passaram a querer escrever suas próprias histórias, a criar suas próprias páginas e a interagir com as informações que circulavam na rede.

O comércio eletrônico, símbolo da Web 1.0, passou a dividir atenção com os serviços gratuitos, com os blogs e com os sites de relacionameto. Na era 2.0, a Web também ganhou internautas mais críticos, organizados em comunidades e capazes de cruzar dados disponíveis na rede, classificando-os e hierarquizando-os. Ganharam mais espaço também os vídeos e fotos.
Por conta de todas essas transformações, hoje os meios de comunicação impressos vêem-se obrigados a rediscutir o seu papel. Assim como os internautas, os leitores já não querem modelos de jornais e revistas feitos de forma unilateral. Querem participar.

Curiosamente, os mesmos veículos que há uma década lançavam suas versões on line, meio sem saber por que, hoje lutam para que a internet não canibalize seu produto impresso. Buscam uma maneira de aplicar em suas publicações a interatividade presente na Web 2.0.

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